terça-feira, julho 25, 2006

Diminuição da superfície de contacto com a realidade

Hoje de madrugada, num hospital de Lisboa, disseram-me (disse-me) com um abraço que confundo muitas vezes a realidade com o sonho. Agora que penso na hora onírica que ali passei, sim, acho que têm (tem) razão. Lobo Antunes escreveu um dia que para casos como o meu o diagnóstico de um psiquiatra seria "diminuição da superfície de contacto com a realidade". Apenas. Talvez seja isso, talvez. Mas fico descansado ao ler a correcção que Lobo Antunes faz desse diagnóstico: "«Diminuição da superfície de contacto com a realidade?» Não: a realidade mesma. A única que, com um pouco de sorte, poderemos habitar". E às vezes, de facto, as fronteiras são tão ténues...

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