sexta-feira, agosto 25, 2006

!

"Vieira vai ser constituído arguido no caso Mantorras", 24 Horas dixit.

"Não há qualquer indicação de que Luís Filipe Vieira esteja para ser interrogado no âmbito deste processo [Mantorras], muito menos que seja constituído arguido", Polícia Judiciária dixit.

"A transferência de Mantorras do Alverca para o Benfica foi completamente transparente", L. F. Vieira dixit.


"...notícia que reafirmamos e que muito estranharemos se acabar por não se concretizar" [sobre a notícia inicial], Pedro Tadeu (director do 24 Horas) dixit.



Gosto de posts que se escrevem a eles próprios.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Por que razão é Paris a cidade mais romântica?

Bastaram-me dois dias de chuva em Paris para descobrir por que razão é esta a cidade mais romântica do mundo. Se no final do segundo dia de chuva intensa, depois de teres passado quase 2 horas para entrar no Castelo de Versalhes (na rua, ao vento, ao frio...), de o teres visitado literalmente enlatado em algumas salas com 500 chineses (ou japoneses, não os distingo), de teres caminhado quilómetros pelos seus jardins, nem sempre com chuva, mas sempre com muito frio, a tua namorada (ou quem quer que vá contigo) aceitar com um sorriso comer um gelado nos Campos Elísios depois de jantar, ainda que completamente encharcada, e se, depois de comer o gelado, ainda que atendida por uma portuguesa que não usava desodorizante, ela disser que gostou do dia, é porque a tua namorada gosta muito de ti. Mas se ainda tiveres dúvidas, experimenta no dia seguinte esperar quase 3 horas para chegar ao topo da Torre Eiffel, ao lado de um grupo de jovens judeus que vão escrevendo nos pilares da Torre, com canivetes de bolso, os respectivos nomes e outras frases ininteligíveis. Ou então, podes sempre decidir descer os Campos Elísios em direcção ao Louvre debaixo de chuva, para poderes pagar a entrada no museu com uma nota húmida. Se, depois de tudo isto, voltares para Portugal acompanhado, é porque a tua namorada gosta MESMO de ti. E aí está a razão por que Paris é uma cidade romântica.

p.s. - no final recebi uma medalhinha protectora milagreira e o tempo ficou melhor: se tiverem uma e se não precisarem de umas férias românticas, não a deixem em casa.

terça-feira, agosto 22, 2006

O lixo das minhas vizinhas ou o terrorismo urbano da terceira idade

As minhas vizinhas não usam o caixote do lixo do prédio. "Nunca", garantiram-me. Razão: "é que... olhe, se nós usarmos o caixote do lixo e o pusermos lá fora, os vizinhos dos outros prédios da praceta vêm pôr o lixo no nosso caixote, e depois quem tem de o lavar somos nós!". De facto, é desagradável. Apercebi-me de que elas não o usavam porque ontem a vizinha do 1º esquerdo avisou-me de que, dado que usei o caixote do lixo (tinha lá deixado um saco - pela primeira vez - na sexta-feira), devia ser eu a pô-lo lá fora. Sim, tinha razão. Como eu costumo levar o meu saco do lixo no carro até ao caixote do lixo que está junto dos ecopontos, perguntei à minha vizinha como é que ela e as restantes senhoras faziam para deitar fora o lixo. Resposta: "esperamos pela noite, e, antes da uma da manhã, que é quando vem o camião do lixo, deitamos os nossos sacos nos caixotes do lixo dos prédios vizinhos". Chama-se a isto "terrorismo urbano da terceira idade". Ontem à noite, quando cheguei a casa, o caixote do lixo tinha não só o meu saco como também outros três sacos do lixo, que não eram evidentemente das minhas vizinhas porque elas não o usam "nunca", nem dos vizinhos dos outros prédios porque o caixote ainda estava dentro do meu prédio. Terrorismo urbano puro conjugado com as regras da boa vizinhança lisboeta. Pus o caixote lá fora, como me competia, e hoje de manhã pu-lo dentro, como me competia. Só espero que, quando estiver a ver o Benfica logo à noite, a vizinha do 1º esquerdo não me venha dizer que tenho de lavar o caixote do prédio. Se o fizer, perceberá que eu também consigo ser filhinho da puta.

quarta-feira, agosto 09, 2006


Vou voltar a Paris amanhã. Há uns meses atrás, a mera possibilidade desta viagem era... uma absoluta impossibilidade. Hoje quase me parece que nunca quis outra coisa na vida. Desta vez, tenho todas as condições para perceber a razão por que é chamada a "cidade mais romântica" do mundo. Ainda não estou lá, mas já começo a perceber...

Boas férias!

segunda-feira, agosto 07, 2006

Lisboa em Agosto

Levanto-me vinte minutos mais tarde do que durante o resto do ano, mas chego ao emprego antes da hora.

Pelo caminho, encontro uma família de emigrantes franceses com uma imensidão de galhardetes e autocolantes de Portugal a enfeitar o carro. Vieram a Lisboa visitar os primos que já mal conhecem, e entregar os presentes, duas caixas de chocolates compradas em Espanha e já derretidas pelo calor da viagem, uns ténis que já não servem aos filhos dos primos, uma t-shirt para o primo com uma fotografia de um encontro de emigrantes estampada e um perfume que a prima nunca usará. Os primos de Lisboa não têm nada para dar, porque a vida está difícil e "aqui não é como lá". Têm pouco em comum, mas vão acabar o dia deitados ao sol na Costa da Caparica, com uma geleira com o arroz de frango e com os pastéis de bacalhau. À noite, chocolates, t-shirt, ténis e perfume estarão já no lixo.

Vou tomar o pequeno-almoço à única pastelaria aberta num raio de 500 metros.
À entrada, os ciganos apregoam para o vazio do passeio o último grito das camisas Tommy Hilfiger. Quando me vêem, pegam-me no braço e quase me fazem acreditar que ao virar da esquina me cairá um bloco de betão em cima se não comprar uma camisa que me fará parecer um rei. Os filhos gritam e rebolam pelo chão, um deles acerta com a barriga em cima de um excremento do cão do Silva do 3º esquerdo, que não apanhou o cocó do Boby "porque sabe como é, à noite não se vê nada...". Não compro nada e, se escrevo este post, é porque o bloco de betão não acertou em mim.

Vou tomar café a uma tasca cuja clientela - eu incluído - é um diversificado leque de exemplares da "fauna maravilhosa do fundo do mar da vida". Em cima do balcão, três ovos cozidos. "Ó chefe, vai um ovinho? Estes não têm gripe". Recuso, educadamente, e peço um café. "Ó amigo, vai ter de esperar, que isto às vezes é tal a afronta que nem dá para coçar a micose". O que é que se diz nestas alturas?

Vou olhando para o telemóvel, na esperança de que alguém me devolva a realidade.

Quando é que chegam os vivos?

sexta-feira, agosto 04, 2006

Conversa de casa de banho ou a lucidez dos putos

Numa casa de banho de um centro comercial:
Pai - Só isso? Então tu fizeste-me andar um quarto de hora para só fazeres esse chichi?
Filho - Ó pai, é o que tenho...
Pai - Um quarto de hora para isso?
Filho - Não tenho mais...
Pai - Estávamos tão bem lá e viemos para aqui por causa de ti... e tu fazes só isso?
Filho - Não tenho mais vontade, pai.
Pai - Se soubesse, não tínhamos vindo!
Filho - Olha, p'ra próxima faço nos calções!

quarta-feira, agosto 02, 2006

Strings - we are all connected


Strings é sobretudo a história da viagem que Hal Tara empreende para vingar a morte do rei, seu pai, assassinado pelo líder do povo rival. O que Hal Tara não sabe é que - e por isso a viagem é para ele um engano - o pai se suicidou para lhe deixar o trono, e que a história do assassinato foi engendrada pelo seu tio. A viagem, no entanto, é uma viagem necessária, pois é toda ela um longo ritual iniciático para o protagonista, que inclui evidentemente, à boa maneira da tradição dos contos populares, a descoberta do próprio amor. E a força do amor é talvez o maior ensinamento que Hal Tara colhe da sua iniciação, ao descobrir que com o verdadeiro amor é capaz de se superar a si próprio fazendo coisas que à partida não seriam possíveis para uma marioneta (para uma marioneta porque o filme não é sobre humanos).

O momento em que Hal Tara descobre o amor (e também este amor pode ser lido na sequência de uma certa tradição literária - Romeu e Julieta, Tristão e Isolda -, dada a sua aparente impossibilidade) é amplamente explorado pelo argumento, pois algumas das ideias principais do filme são-nos apresentadas nesse momento, nomeadamente a ideia de que as marionetas estão todas ligadas porque terminam onde as outras começam.

A leitura do filme como uma metáfora da vida humana é mais ou menos inevitável, e, visto desse modo, haveria muito a dizer sobre os fios que nos ligam à vida, sobre o amor, sobre o facto de estarmos todos ligados...