terça-feira, agosto 22, 2006

O lixo das minhas vizinhas ou o terrorismo urbano da terceira idade

As minhas vizinhas não usam o caixote do lixo do prédio. "Nunca", garantiram-me. Razão: "é que... olhe, se nós usarmos o caixote do lixo e o pusermos lá fora, os vizinhos dos outros prédios da praceta vêm pôr o lixo no nosso caixote, e depois quem tem de o lavar somos nós!". De facto, é desagradável. Apercebi-me de que elas não o usavam porque ontem a vizinha do 1º esquerdo avisou-me de que, dado que usei o caixote do lixo (tinha lá deixado um saco - pela primeira vez - na sexta-feira), devia ser eu a pô-lo lá fora. Sim, tinha razão. Como eu costumo levar o meu saco do lixo no carro até ao caixote do lixo que está junto dos ecopontos, perguntei à minha vizinha como é que ela e as restantes senhoras faziam para deitar fora o lixo. Resposta: "esperamos pela noite, e, antes da uma da manhã, que é quando vem o camião do lixo, deitamos os nossos sacos nos caixotes do lixo dos prédios vizinhos". Chama-se a isto "terrorismo urbano da terceira idade". Ontem à noite, quando cheguei a casa, o caixote do lixo tinha não só o meu saco como também outros três sacos do lixo, que não eram evidentemente das minhas vizinhas porque elas não o usam "nunca", nem dos vizinhos dos outros prédios porque o caixote ainda estava dentro do meu prédio. Terrorismo urbano puro conjugado com as regras da boa vizinhança lisboeta. Pus o caixote lá fora, como me competia, e hoje de manhã pu-lo dentro, como me competia. Só espero que, quando estiver a ver o Benfica logo à noite, a vizinha do 1º esquerdo não me venha dizer que tenho de lavar o caixote do prédio. Se o fizer, perceberá que eu também consigo ser filhinho da puta.

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