segunda-feira, outubro 23, 2006

Os árbitros e os adeptos: dois (três?) tipos

Os árbitros encontram invariavelmente uma de duas situações quando arbitram os jogos de futebol: ou se considera que favoreceram a equipa visitante, e então ouvem uma suave contestação dos adeptos da equipa de fora que não chega a incomodá-los verdadeiramente, ou se considera que favoreceram os da casa, e então ouvem umas muito incómodas monumentais assobiadelas. Este fim-de-semana, pude ver que, além destes dois tipos, há o Carlos Xistra, que consegue ser assobiado pelos adeptos da casa enquanto mostra cartões vermelhos aos jogadores da equipa visitante. No comments.

quarta-feira, outubro 18, 2006

O silêncio incómodo

Às vezes chego a pensar que deturpo tudo e que tenho uma visão biliar da realidade. Hoje, não. Não, mil vezes não, porque não posso aceitar que o silêncio incomode as pessoas e as pessoas se vejam na OBRIGAÇÃO de falar. Estes foram os primeiros diálogos que tiveram comigo hoje.


- Ó Pedro, estás despenteado (hi hi hi).
- ...
- Despenteado e com essa barba por fazer nem pareces quem és (hi hi hi).
- Pois, deixarei de ter esse problema quando for careca. Até lá, vou andar assim.
- Sim, isso é verdade [disse isto enquanto passava a mão pela sua ampla calva].
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- Ó Pedro, isto está é para os professores, a fazerem as greves...
- ...
- Se tivessem de trabalhar como nós...
- ...
- Andam de barriga cheia, por isso é que fazem isto. E quem paga isto tudo são os nossos impostos. Se eu fosse ministro, punha tudo na rua. Tudo. Essa malandragem.
- ...
- Os alunos a quererem ter aulas e eles nesta pouca-vergonha.
- Pois, isto no tempo do Salazar é que era, não era?
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- Ó Pedro, então ontem o Benfica, hã? Aquilo é que foi. Uma vergonha. Quer dizer, é o Benfica, o maior clube nacional (eh eh eh). Hoje há-de haver aí uns trombudos, que nem falam. Eu gosto é de os ver assim.
- ...


E se se fossem F**** todos? O silêncio não incomoda ninguém. Só incomoda os palermas que já não aguentam viver com eles próprios e que por isso são incapazes de suportar o estarem com eles mesmos. Mas que culpa é que eu tenho? F***-se!
Pronto, já tive o meu momento catártico.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Mudar de casa - capítulo II

Moviflor vs. IKEA

Os móveis da IKEA são resistentes. Os da Moviflor nem depois de completamente montados. Durante a montagem, a madeira da Moviflor esboroa-se toda. A da IKEA mantém-se sólida. Os sacos de ferragens, parafusos e afins dos móveis da IKEA trazem sempre o número certo de material (em dois casos, traziam a mais). Os da Moviflor trazem material em número insuficiente (curiosamente, usei o que sobrou da IKEA). Devido ao modo como apresentam as instruções, os móveis da Moviflor demoram o dobro do tempo a montar. Finalmente, na IKEA não estão sistematicamente a dizer que o "produto está esgotado temporariamente". Dúvidas?

terça-feira, outubro 10, 2006

Mudar de casa - capítulo I

Quando a casa não tem ainda gás, montar um esquentador é tarefa fácil. É necessário um tubo para o gás com duas anilhas, e dois tubos para a água (um para a água quente outro para a água fria) com as respectivas anilhas. Há, no entanto, uma imensidão de pequenas coisas que podem correr mal e que, se podem correr mal, ordinariamente correm mal... Aconteceu-me a mim e, depois de ter resolvido vários pequenos problemas que surgiram com a montagem, desisti de montar o esquentador e chamei um "técnico". Tive de lhe pagar 60€ para este me explicar que eu simplesmente estava a colocar pouco isolante (uma fita plástica branca extremamente maleável) no tubo da água fria. 60€...

segunda-feira, outubro 09, 2006

Autocarro

"- Não tenho tempo para ser infeliz. Não tenho tempo."
Sento-me no autocarro e elas sacodem o cabelo, abrem as malas e espalham as bijuterias artesanais da moda. Fazem furor as da novela florida. Quando passam, à saída (ou entrada) do metro, pelas vendedoras que apregoam as suas (menos artesanais) bijuterias, olham de soslaio, com focinho de ranço. Falam alto, são muito amigas e falam alto. No Natal discutem as "barbies" e a colecção de acessórios oferecidos às suas progenituras. (E ainda o outro dizia ter sido como ervas...) Assopro porque me esqueci de sentar mais atrás. Se tivesse, como o Álvaro, uma cadeira, ainda ouvia os cacarejos da capoeira. Como não tenho, aninho-me, fecho os olhos e, com algum esforço, misturo as galinhagens com ideias avulsas que me surgem na cabeça. Acordo por vezes a martelar com a cabeça no vidro.

Para se ser infeliz é preciso tempo.