terça-feira, novembro 07, 2006

TLEBS ou um post sobre os botas-de-elástico

Já há muito que andava para escrever um texto sobre a TLEBS ([Nova] Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário), mas sempre achei que ia ficar longo, chato, técnico e maçudo, e para textos qualificáveis com estes adjectivos (excepto o "técnico") já bastam as baboseiras dos botas-de-elástico. Os botas-de-elástico criaram uma enorme gaveta de onde saem coisas horríveis como a TLEBS, o novo programa do Ensino Secundário, a Ministra da Educação e as suas reformas, etc., etc. Para eles, é tudo a mesma coisa, porque no tempo deles, há 20 ou 30 anos atrás, "é que era": reduções de horários, anos zero, práticas lectivas irresponsáveis, ensino de uma gramática cheia de aspectos inexplicáveis e muitas outras coisas boas. Dizem estes senhores professores, indignadíssimos, que os grandes escritores não tiveram aulas de gramática e que, por essa razão, não precisaram de saber o que é, por exemplo, um nome não contável. Correcção humilde: não é que eles não precisassem de saber, eles não precisaram foi de ser ensinados, pois que outra explicação (que não a da evidência desse conhecimento) se poderá encontrar para o uso estilístico que muitos fazem dos nomes não contáveis no plural? Dizem estes professores que não é a ler textos informativos que se aprende a escrever (o modelo, dizem, está na literatura) e que portanto devia voltar-se ao programa antigo, predominantemente dominado por conteúdos literários. Eu pergunto: saber ler Poesia Trovadoresca, Camões, Gil Vicente ou até mesmo Fernando Pessoa significa necessariamente que se saiba ler e compreender o regulamento do Big Brother? E refiro o Big Brother propositadamente, porque eu posso considerar este programa perfeitamente inútil (porque é, na minha opinião), mas não posso esquecer de que ele faz parte da nossa sociedade e de que há pessoas que querem perceber esse regulamento e ainda, e talvez sobretudo, de que é obrigação da escola preparar as pessoas para a leitura correcta também desse tipo de textos. Mas Gil Vicente devia fazer parte dos programas, claro que devia, mas não apenas Gil Vicente ou não apenas literatura.

1 comentário:

Josefa Pacheca Pereira disse...

Bom domingo. Abraço.