quinta-feira, dezembro 14, 2006

As pessoas como elas são, mas que nem por isso aparecem nos anúncios da TMN

Eles fazem xixi na rua, como os cães, encostados à parede de um prédio qualquer. Comentam tudo, desde o Sócrates ao Benfica, passando pelo Iraque, pela gripe das aves, pela escola, pela droga, pelos paneleiros. Têm opiniões e manifestam-nas publicamente, nos autocarros, no metro, nas filas do supermercado. Pouco percebem das coisas. Pedem subsídios por causa de não terem um emprego que rejeitaram, pedem subsídios por causa da seca que afecta terras que não têm, por causa das cheias que afectam casas em que não moram. Elas discutem com as empregadas dos supermercados, gritam com os motoristas dos autocarros, são profundamente infelizes, não têm objectivos na vida, dizem mal do marido a todas as pessoas mas não admitem que outras pessoas digam mal deles. Cospem no chão. Todos. As filhas já não "masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escada", mas chupam lubricamente chupa-chupas nos centros comerciais enquanto falam gritando umas com as outras. Ordinariamente, fazem um rabo-de-cavalo de um cabelo lambido com azeite (será mesmo, ou é apenas sujo?) e mostram as proeminentes barrigas na larga faixa descoberta que vai da cintura das calças ao início das t-shirts. À mínima contrariedade, põem a mão na anca e discutem. Os filhos balançam para esquerda e para a direita enquanto andam, como se tivessem uma perna mais curta que a outra. Arrastam calças larguíssimas e usam grossas correntes ao pescoço, que balançam ao sabor do corpo. Usam bonés e mandam piropos pouco felizes para as mulheres que passam.


Onde é que cabe esta gente nos anúncios da TMN? Sim, esta gente, a da vida "como ela é"?

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