quinta-feira, fevereiro 08, 2007

As pessoas existem?

Numa conversa de final de jantar temperada com Alento (notável tinto alentejano, não superior, todavia, ao Chaminé) e um queijo fresco, perguntou-me um amigo: não tens noção de que as pessoas não existem, às vezes? Explicou-me depois que por vezes sente que há alguns papéis sociais à sua volta que são ocupados - por mero acaso - por esta ou aquela pessoa, e que, no caso de essa pessoa não estar disponível - definitiva ou temporariamente -, é substituída por outra com funções semelhantes. Na altura respondi que talvez seja a nossa tendência inata para classificar e catalogar as pessoas à luz do que conhecemos, mas agora parece-me uma resposta pobre. Não terá Camões e outros antes e depois dele proposto o mesmo? É que quer se tratasse da escrava Bárbara quer se tratasse da inacessível Laura, o que importava realmente era o próprio sentimento amoroso e não a pessoa. Justamente como se Bárbara e Laura não existissem. Justamente.

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