domingo, março 25, 2007

Se tivesses de ser um, qual escolherias?


Imaginem, por absurdo, que tinham de ser um dos dois. Na pele de qual dos dois queriam estar?

quarta-feira, março 21, 2007

Não sei o que é melhor...

... se o poema de José Miguel Silva, se a música de A Naifa. Podem lê-lo e ouvi-la aqui. Depois decidam.

Queixas de um utente

Pago os meus impostos, separo
o lixo, já não vejo televisão
há cinco meses, todos os dias
rezo pelo menos duas horas
com um livro nos joelhos,
nunca falho uma visita à família,
utilizo sempre os transportes
públicos, raramente me esqueço
de deixar água fresca no prato
do gato, tento ser correcto
com os meus vizinhos e não cuspo
na sombra dos outros

Já não me lembro se o médico
me disse ser esta receita a indicada
para salvar o mundo ou apenas
ser feliz. Seja como for,
não estou a ver resultado nenhum

josé miguel silva

quinta-feira, março 15, 2007

A frágil existência dos oxímoros.

Um destes dias creio ter pensado, depois de acordar, que os oxímoros não existem. Diz-me a Biblos que o oxímoro é a "união sintáctica, em frases ou expressões, de conceitos contraditórios [...]; é a expressão sintética de um paradoxo intelectual". Dá como exemplo esta enciclopédia alguns versos de Camões, como por exemplo "Amor é um fogo que arde sem se ver". De facto, os fogos que ardem vêem-se, mas não é menos verdade que o Amor não é um fogo. Logo, se temos de fazer um entendimento metafórico de "Amor é um fogo", a expressão não é contraditória, mas lógica: Amor (o sentimento amoroso) é um fogo (é um sentimento arrebatador, apaixonado) que arde (que existe dentro de nós, que nos arrebata) sem se ver (sem ser visível na nossa aparência física). O oxímoro tem assim uma frágil existência, pois anula-se no exacto momento em que se deixa interpretar. Mesmo a expressão "contentamento descontente", quando interpretada, deixa de ser um oxímoro. Acho que começo a compreender a razão por que gosto tanto de alguns filmes de David Lynch, essas autênticas acumulações de oxímoros que não se deixam interpretar: ao manterem-nos longe, nessa espécie de inacessibilidade platónica, prolongam o prazer de bem sentir o oxímoro. Ah, como eu amo essa frágil existência dos oxímoros.

terça-feira, março 13, 2007

A frase do dia

Perdoe-me a frontalidade com que lhe digo isto, mas essa senhora é uma ignorante!

A mim, perdoem-me os poucos mas amáveis leitores deste blog a private...

sábado, março 10, 2007

Por 8 €, não precisa de abrir o livro, lê a contracapa


Aproximam-se os exames, caríssimos estudantes: leiam os sábios conselhos.

(perdoem-me os vendedores desta feira do livro, cujo pedido até percebo, mas achei-lhe uma certa piada).